Das lágrimas
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Já faz tanto tempo que não nos vemos. Ficou marcado na lembrança todas as madrugadas em claro, conversando pelo telefone. Todas as vezes que me procurava pra saber do meu dia ou se eu estava bem. Já não tenho mais as sms que eu recebia dizendo que estava com saudades, mas ainda lembro que você sempre mandava. Nunca mais recebi uma ligação inesperada perto do cair da noite pedindo "vem me ver, to com saudades, quero você". Nunca mais fomos os mesmo. Talvez nunca mais eu sinta seu abraço, nem veja seu sorriso. Talvez a gente nunca mais se veja. A gente pode ter se perdido, você pode ter me esquecido, mas eu sempre vou ter um pouquinho de ti dentro de mim.
Das cartas que você nunca vai ler.  
Lembra do que já fomos? Não precisa responder, eu sei que se lembra. Não tem como ter esquecido, não assim, tão rápido. Foram tantas madrugadas em claro, tantos assuntos esquisitos. Tantas brincadeiras, tantos sorrisos. Ainda me lembro da forma como me chamava e se eu fechar os olhos, eu consigo ouvir tua voz. Não sei como fomos nos perder no tempo. Não sei.
Querido John.   
Um amigo não racha apenas a gasolina. Racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros. 
Castiel, tá na escuta? Você sabe que eu não sou muito de rezar, por que eu acho que isso é o mesmo que implorar. Só que isso tem a ver com o Sam, então eu preciso que você escute. Nós vamos entrar nesse lance as cegas, e eu não sei o que vem pela frente, e o que isto vai custar ao Sammy. Ele está disfarçando muito bem, mais eu sei que tá doendo, e esse lance era pra ser comigo. Então por tudo o que nós já passamos, eu peço á você, por favor toma conta do meu irmãozinho.
Dean Winchester.
É isso que eu gosto em você, seu realismo, sua espontaneidade, sua falta de modos. É isso que eu acho bonito numa pessoa, você vive sua vida, aceita suas limitações, não dá muita bola para o que os outros vão achar de você. Às vezes eu acho as pessoas tão igualmente diferentes, sempre pendurando arengas no pescoço e fazendo um esforço tremendo para parecer legal. Você é você. Estou certo que existem almas formidáveis por toda a cidade, mas se eu fui gostar logo de você, isso quer dizer alguma coisa.
Gabito Nunes.  
Mas eu quero que você saiba que quando eu me imagino feliz, é com você.
Dean Winchester.
Você não merece que eu te olhe desse jeito carinhoso que eu inventei de te olhar. Você não merece me atormentar só porque está agora com outra pessoa e não comigo. Você não merece que eu jogue fora uma nota de vinte numa coletânea do Tom Waits só porque você me disse que adora Tom Waits, aquele rouco idiota que até dois meses atrás era um desconhecido para mim. Você não merece que eu automaticamente adore todas coisas que você adora, só pra me sentir mais por dentro da sua vida, das suas coisas, de nós dois.
Gabito Nunes. 
Eu só preciso de alguém que me escute, que me cuide e que me entenda. Será que é pedir demais?
Recontador
Olha, cuida bem de mim. Cuida do que eu sinto. A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar. Se perder para se encontrar. O amor é um encontro. De você com você mesmo. Amar é se ver nos olhos do outro. Mesmo que ele esteja com os olhos fechados.
Clarissa Corrêa. 
Preciso desse tempo longe. Eu estou exausto de todo mundo.
Gabito Nunes.
Aprendi que as pessoas
não são livros,
onde você pode colocar
um marcador
e voltar
para mesma página
quando se sentir sozinha,
em uma dessas noites frias,
em que você precisa
de palavras
que aqueçam sua solidão.
Sean Wilhelm.
Eu…
Ainda quero
sussurrar
baixinho,
um longo
‘te quero’
em seu
ouvido.
Meu Querido Charlie. 
Que os dias felizes sejam mais longos.
Clarice Lispector.
Mas, quanta gente ainda vai precisar morrer pra gente aprender a reagir? Pra gente se tocar que, não, as coisas não acontecem só com os outros? Que dirigir quase embriagado também dá morte? Que “fazer acordo” para ganhar seguro-desemprego e furar a fila do pão também são exemplos de corrupção? Quantos estádios modernos de futebol a gente ainda vai erguer para esquecer que tem gente morrendo na fila de um hospital grotesco? Se o seu apêndice estourar no meio da Copa, amigo, imagina a festa. Eu acho que nossa cara já está dormente de tanto apanhar. Tanto que a gente quase não sente mais nada, nem por nós mesmos, que dirá pelos outros.
Gabito Nunes.
Só não deixa eu ser ninguém na sua vida.
Clarice Falcão. 
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