Das lágrimas
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Eu me preocupava bastante com o que queria ser quando crescesse, quanto ganharia ou se me tornaria alguém importante. Às vezes, as coisas que você mais quer, não acontecem. E às vezes, as coisas que jamais esperaria, acontecem. Você encontra milhares de pessoas e nenhuma delas te tocam, e então encontra uma pessoa, e sua vida muda. Pra sempre.
Amor e Outras Drogas.    
Porém, eu gostei dela. É raro encontrar alguém que vê além das nuvens, que se senta no meio do nada pra caçar estrelas e trocar ideias com a lua. Há pouco azul na cidade, ninguém dá mais bola para o firmamento, estão todos vivendo sem perceber os prédios se erguendo na volta e engolindo nossa capacidade de reparar nos detalhes.
Gabito Nunes.  
O relógio bate as horas, diz baixinho: Ele não vem.
Tom Jobim
Não faça dos teus olhos
um mar de lágrimas.
Prestigiador. 
Na infância.. Bastava sol lá fora e o resto se resolvia.
Fabrício Carpinejar.
Hoje no café da manhã senti sua falta, talvez tenha sido por ter acordado com tesão, você sempre gostava de fazer amor pela manhã, olha só, eu falando “fazer amor”, que tolice, você gostava era de foder mesmo. Infelizmente de tanto foder, fodemos um com a vida do outro. Agora eu estou aqui, solitário. Tudo que restou foi eu e a saudade.
Relatos de um Apaixonado.
Eu não sei se eu vou ter tempo para escrever mais, porque eu posso está muito ocupado tentando participar. Então, se isso acabar sendo a última vez, eu só quero que você saiba que eu estava em um lugar ruim antes de começar o colegial. E você me ajudou. Mesmo que não soubesse do que eu estava falando, ou conhece alguém que passou por isso. Você me fez não me sentir sozinho. Porque eu sei que há pessoas que pensam que essas coisas não acontecem. E há pessoas que esquecem de como é ter 16 anos quando completam 17. Eu sei que serão apenas histórias algum dia. E nossas imagens vão tornar-se fotografias antigas. E todos nós seremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, esses momentos não são histórias. Isso está acontecendo. Eu estou aqui. E eu estou olhando para ela. E ela é tão bonita. Eu vejo isso. Um momento em que você sabe que não é uma história triste, você está vivo. E você se levanta e vê as luzes nos prédios, e tudo isso te deixa surpreso. E você está ouvindo essa música nessa estrada, com as pessoas que mais ama neste mundo. E neste momento, eu juro; nós somos infinitos.
As Vantagens de Ser Invisível.    
Você sabe que vai ser sempre assim. Que essa queda não é a última.
Caio Fernando Abreu.
E aquele sentimento não poderia ser descrito através de meras palavras. É algo muito mais além do que versos, estrofes ou poemas. Um sentimento mostrado através de atos, pequenos gestos ou até mesmo por um simples detalhe.
Juliana Aquino. 
Assim como nasceu meu amor por você, também morreu. De uma maneira ridícula. Eu lembro bem, cheguei na sua casa atrasada, perfumada e sem grandes intenções. E você me recebeu suado e sem graça porque, afinal de contas, era tudo mentira que sabia cozinhar. Pra piorar, a pizza chegaria em instantes, mas seu interfone estava quebrado. Você me olhou como uma criança que é pega fazendo arte e eu te amei loucamente. Naquele segundo, a chavinha virou pra direita e catapuft: te amei absurda e infinitamente. Eu tinha motivos reais, palpáveis e óbvios para te amar. Você é bonito, seu abraço é quente, seu sorriso tem mil quilômetros iluminados, seu humor me faria rir 100 encarnações e você é bom em tudo, mesmo não querendo ser bom em nada. Seu coração é gigante, tão gigante que você, por medo, prefere a superfície. Mas eu te amei, mesmo, por causa daquele segundinho, o segundinho que a chavinha virou para a direita. O segundinho da pizza e do interfone. E assim foi por quase dois anos. Eu me perguntava quando isso teria fim. Motivos profundos, nobres e óbvios para deixar de te amar também não me faltaram, mas nenhum deles foi suficiente ou funcionou. Você acompanhou com olhos humildes e humilhados todos os passos da sua ex naquela festa e eu continuei te amando. Você confundiu Chico com Vinicius e eu continuei louquinha por você. Você tinha aquele probleminha de não segurar o prazer e meu maior prazer sempre foi qualquer segundo ao seu lado. Você me largou sozinha naquele hospital, com a minha mãe sem saber se tinha ou não metástase, e foi para a praia com seus amigos bombados. E eu, no fundo, te perdoava, te entendia, te amava cada vez mais. Você me mandou embora da sua casa, do seu carro, da sua vida, da memória do seu computador, do seu celular e do seu coração. Você me deletou. E eu passei quase um ano quietinha, te esperando, rezando pra Santo Antônio te ajudar a ver que amor maior no mundo não poderia existir. Eu segui amando e redesenhando cada dobrinha da sua pele, cada cheiro escondido dos seus cantinhos, cada cílio torto, cada risada alta, cada deslumbre puro com a vida, cada brilho nos olhos quando o mar estivesse bonito demais. Cada preguiça, cada abandono, cada estupidez, cada limitação, cada bobeira. Amava seus erros assim como amava os acertos, porque o que eu amava, enfim, era você. CATAPUFT! E eu me perguntava, quase já sem agüentar mais, sem entender tamanha entrega burra, quando isso finalmente teria um fim. Quando minha coluna ia voltar a ser ereta, minha cabeça erguida e meus passos firmes? Quando eu iria superar você? E foi assim, sem avisar, por causa de um segundo sem grandes enredos, que a chavinha, catapuft, fez meia volta e virou para a esquerda. Me devolvendo a mim, me devolvendo à vida. Dissolvendo você no ar, trazendo cores, cheiros e possibilidades de volta. Matando o homem que eu mais amei na vida bem na noite de Natal. Enquanto todos comemoravam o nascimento de Deus, eu comemorava a sua morte. A morte de quem e para quem eu já tinha sido mais fiel, refém, escrava e discípula do que para qualquer outro deus. Era véspera de Natal e você me ligou. Meu coração se encheu de esperança, de pureza, de fé, de alegria. Do outro lado, sua voz nasalada e banal me disse, assassinando meu coração e se suicidando na seqüência: essa ligação não é uma recaída natalina, não, é apenas porque eu tava aqui, sem fazer nada, e pensei… quer trepar? Catapuft. Não, eu não quero trepar. Mas quer saber? Eu também não quero mais te amar. O menino da pizza e do interfone virou um homem solitário, infeliz e descartável. Catapuft. Pode parecer loucura, mas tirar você do meu peito foi o meu melhor presente que já ganhei.
Tati Bernardi. 
Se eu te troquei, não foi por maldade. Amor, veja bem, arranjei alguém, chamado saudade.
Los Hermanos.
Saudade dá, sempre dá, mas a gente disfarça, dorme, toma um café e finge que esquece.
Desconhecido.  
Antes de você ir embora, queria falar umas coisas. Sei lá. Primeiro de tudo, queria falar que sempre odiei esse teu sorriso mole, fácil demais de se entregar. Também nunca gostei da forma como combina as cores, você usa preto com lilás, e depois usa amarelo com azul. É feio. Sempre odiei esse teu medo extremo pelas coisas, você tem medo do escuro, do bicho papão, do teu gato, dos dias ensolarados, da chuva fraca, dos ventos fortes, tem medo disso – daquilo, tem medo de se entregar, medo de tentar ser feliz. Então, é isso. Você não é isso tudo, você não é o meu único amor, eu já amei sim, só não lembro o nome daquele carinha da 6 série, muito menos do moleque que brincou comigo naqueles carros bate-bate. Mas, eu os amei. Eram tão simples, não tinham problemas com os relógios, datas, ventiladores, ar-condicionado, vizinhos, música alta, e vai saber o que mais você inventa pra trazer confusão. Você é todo cheio de si, confiante demais, gosta de deixar a janela do carro aberta pra ter certeza que alguém do lado do semáforo vai te olhar quando parar o carro. E é isso, já disse, você não é isso tudo, sempre vai ter o cara do outro lado, o cara da frente, o de trás, sempre há. Você acha mesmo que é o único que gosta de coisas doces, que beija quando eu me calo, que segura minha mão quando estou insegura? Não, existem outros, só não sei onde estão. Mas, sério, deve haver algum ser humano capaz de ser menos você dentro de mim. Antes que você vá embora, preciso que saiba que nenhuma mulher vai ser tão idiota como eu, elas são independentes, no máximo você encontrará uma aí, que vai transar contigo, e depois tu nem vai lembrar o nome dela. Mas, nenhuma delas vai ser como eu, nenhuma delas é como eu, eu sei onde você sente mais prazer, eu sei que se puxarem o seu cabelo vai te broxar, sei que você é idiota, que não gosta que façam barulho, o máximo que as outras vão conseguir é te irritar e te fazer perceber que não sou eu, não sou eu na sua cama, não sou eu no seu lado no carro, não sou eu te fazendo brigar com um valentão na festa, não sou eu quem vai aturar as idiotices da sua mãe, e elas também não. Ta vendo aí? Você não é isso tudo, ninguém nunca é. E depois de um tempo, você só vai querer alguém que te faça sorrir e que o seu dia termine com um banho quente, um chá, e uma boa noite de sono. Vai ver você finalmente aprenda, que mulheres não desistem na primeira vez, que livros não servem apenas para ler, que o sol pode não nascer, e que chuva, vento, vizinhos, e música alta, podem ser teu melhor passatempo. Eu gosto de você, mas, to torcendo pra dar tudo errado, to torcendo pra você quebrar a cara, desistir de tudo, se sentir um babaca, sozinho, to torcendo pra você pensar em mim o tempo todo, pra nossa música tocar quando você estiver por aí, to torcendo pra você voltar. Não quero mudanças, aceito você assim mesmo, quando convivemos muito tempo com desastres, aprendemos a sobreviver nas tragédias. Então, antes de ir embora, faz questão de lembrar como eu te faço feliz, como você faz merda longe de mim, como teus dias são comuns quando eu não estou neles, sente saudade quando ainda estiver na cama comigo, e se quiser, posso até deixar você ficar, eu deixo, se você não tiver que ir embora.
Orquestrando.  
A solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos.
Carlos Drummond de Andrade.  
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